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18/Aug/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Rosh HaShaná

O Jejum de Guedalia

O dia seguinte a Rosh HaShaná marca o Jejum de Guedalia, um dos "dias de jejum menores" no Calendário Judaico. O jejum começa de manhã cedo, ainda de madrugada, e termina a noite, ao pôr-do-sol.

E qual o significado desde jejum, e por que ele ocorre nos dias intermediários, entre Rosh HaShaná e Iom Kipur?

A HISTÓRIA DE GUEDALIA

Depois da destruição do Primeiro Templo, há 2.500 anos, a maior parte do Povo Judeu foi exilada para a Babilônia. O conquistador, Nabucodonosor, eventualmente suavizava algumas de suas duras restrições e permitia a alguns judeus permanecerem na Terra de Israel. Ele chegou até a indicar um judeu justo chamado Guedalia para administrar o território. Gradualmente, mais judeus que escapavam dos horrores da guerra nos países vizinhos começaram a voltar para suas casas em Israel.

Guedalia era realista em relação às limitações da soberania judaica. Ele entendia que, para sua auto-preservação, os judeus em Israel precisavam cooperar totalmente com a nação que havia conquistado sua terra.

Mas esta serventia era intolerável para alguns judeus. Um homem chamado Yishmael Ben Netaniah, irritado contra a influência estrangeira, levantou-se e ignorou o rei da Babilônia. No terceiro dia de Tishrei, Yishmael traiçoeiramente matou Guedalia e vários outros judeus e babilônios.

A RESPOSTA EM IOM KIPUR

Subsequentemente ao assassinato de Guedalia, os judeus temeram represálias do rei da Babilônia. Pensaram em fugir para o Egito para se salvar. Mas como o Egito era uma sociedade moralmente corrompida, os judeus estavam num beco sem saída - o peso do risco físico contra o perigo espiritual. Então se voltaram ao profeta Jeremias, que estava isolado em luto, para pedir aconselhamento.

Por uma semana completa Jeremias pleiteou com D'us por uma resposta. Finalmente, em Iom Kipur, foi respondido. Jeremias chamou os judeus e disse-lhes para ficar em Israel, que tudo estaria bem. D'us estava planejando fazer os babilônios agirem com misericórdia para com os judeus, e, em breve, todos os judeus exilados teriam permissão de voltar a sua própria terra. Mas, Jeremias disse, se os judeus decidissem ir ao Egito, a espada da qual eles fugiam os mataria por ali.

Infelizmente, as palavras do profeta não foram aceitas, e o povo se recusava a acreditar. Todos os judeus remanescentes em Israel empacotaram suas malas e foram para o Egito. Inclusive sequestraram Jeremias e levaram-no consigo. Agora a destruição estava completa; a terra de Israel estava completamente abandonada.

Pode-se imaginar o que aconteceu depois... Alguns anos depois, os babilônios conquistaram o Egito, e dezenas de milhares de judeus exilados foram completamenete eliminados. O único sobrevivente deste massacre foi Jeremias. Sua profecia tinha se transformado na dolorosa realidade.

O evento inicial - o assassinato de Guedalia - foi associado à destruição do Primeiro Templo, pois havia custado vidas judias e trazido fim ao estabelecimento judaico em Israel por muitos anos. Os profetas então declararam que o aniversário desta tragédia deveria ser um dia de jejum. Este dia é o terceiro dia de Tishrei, o dia imediatamente após Rosh HaShaná.

LIÇÕES PARA O JEJUM DE GUEDALIA

#1. O povo judeu tinha afundado para um de seus níveis mais baixos na história. O Templo estava destruído, a maior parte dos judeus estava exilada e tudo parecia sem esperanças. Mas D'us mudou sua situação de desespero e teve o justo Guedalia indicado. Ainda assim, Guedalia foi assassinado por um judeu e toda esperança foi destruída.

Foi neste ponto que Jeremias rezou para D'us por alguma visão e segurança. Isto foi durante os 10 dias entre Rosh HaShaná e Iom Kipur. Esta história é lembrada para nos ensinar uma importante mensagem para os nossos dias: Não importa quão longe você esteja, você pode voltar a D'us e ele lhe perdoará.

#2. Os judeus que foram pedir a Jeremias um conselho estavam inconscientemente certos de que D'us lhes daria a resposta que queriam ouvir. Então, quando D'us deu uma resposta diferente, eles se rebelaram.

Ainda assim, não eram pessoas más. O que aconteceu?

Embora estes judeus eram de certa forma dependentes da vontade dos babilônios, eles não estavam dispostos a ser dependentes da vontade de D'us. A lição é que se ligar a D'us significa seguí-Lo em todos os momentos, não somente quando Sua vontade coincide com a sua.

Uma boa regra na vida, quando encaramos um dilema moral, é perguntar a si mesmo: "O que D'us diria? O que Ele quer que eu faça?"

#3. Quando um judeu mata outro, é uma profunda, terrível tragédia, que pode ter enormes repercussões históricas. Não há desculpa para tal violência. Temos diferenças políticas e filosóficas? Devemos trabalhá-las com calma e tolerância. É o único caminho aceitável!

Fonte: Aish HaTorah