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26/Jun/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Iom Ierushalaim

Jerusalém - Depois de 3.000 Anos, O Que Importa?

Jerusalém não tem nenhum significado estratégico. Não tem importância industrial ou comercial e não é um centro cultural.

Como esta cidade antiga, aparentemente sem importância, surge como coração do confronto entre Israel e os palestinos no futuro da Terra de Israel? Por que devemos nos importar com o que acontece com Jerusalém?

Devemos começar a entender a importância da memória. Memória não é apenas história ou arquivo morto. Por definição, a memória passada cria o presente. Repressão da memória cria o desequílibro mental. Saúde depende da recuperação da memória. Ditadores consolidam seu poder distorcendo a memória. Stalin apagou Trotsky e Bukharin de fotografias. Revisionistas negam que o Holocausto tenha acontecido. Que diferença faz?

Em hebraico, a palavra para homem é "zachar". A palavra para memória é "zecher". Homem é memória. Pessoas que perdem a memória devido a doenças ou acidentes não perdem apenas suas chaves, perdem também suas identidades. Elas ficam perdidas no tempo, pois sem memória, o presente não tem contexto e nem significado.

Quando os Judeus foram exilados de Jerusalém pela primeira vez, o profeta Jeremias escreveu: "Se eu esquecer de ti Jerusalém, que minha mão direita perca sua destreza. E que minha língua fique grudada a meu palato. Se eu não me lembrar de ti. Se eu não elevar Jerusalém acima de minha maior alegria". A memória de Jerusalém é de alguma maneira ligada ao vigor do Povo Judeu. Mas como? Qual é a memória de Jerusalém, e o que isso contribui com o que somos?

Londres vem da palavra celta que significa 'cidade selvagem e cheia de madeira". Cairo é a versão anglicanizada para o nome árabe de Marte, o deus das guerras romano. Paris é nomeada segundo o mito grego de Paris, a quem os deuses pediram que escolhesse entre o amor, a sabedoria e o poder. Ele escolheu o amor - o amor de Helena de Tróia.

O Talmud diz que o nome Jerusalém vem de D'us. O nome tem duas partes: "Yira", que significa 'ver' e 'shalem', que significa 'paz'.

Jerusalém foi o local do sacrifício de Yitzchak por seu pai Avraham, e Avraham disse neste lugar: "Este é o lugar onde D'us é visto."

Em outros lugares, D'us é teoria, mas em Jerusalém, D'us pode ser sentido, visto, como uma presença tangível. Em Jerusalém alcançamos além da fragilidade e vulnerabilidade de nossas vidas, e sentimos e nos esforçamos pela transcendência. Em outros lugares procuramos no escuro pela perspicácia. Em Jerusalém nós antecipamos a claridade. Paris pode ser para amantes, mas Jerusalém é para visionários.

Jerusalém é uma metáfora para um mundo aperfeiçoado, e nos dá perspectiva em nossas vidas. Quando Aldous Huxley disse "nós temos cada um de nós nossa Jerusalém", ele quis dizer muito mais que uma cidade temporal de táxis e engarrafamentos. Ele quis dizer uma visão do que vida poderia ser.

A visão da promessa de vida é uma à qual nos rendemos a nosso risco, porque nos dá vontade para viver. Em exílio por dois mil anos, os Judeus disseram "No próximo ano em Jerusalém", e entre pobreza e opressão preservaram o sonho de um mundo no qual amor e justiça, e não poder e egoísmo, seriam a forma de vida corrente entre a humanidade.

Parte do nome Jerusalém é "visão". A outra parte do nome é paz, mas a paz de Jerusalém não é a ausência de discussão. Jerusalém raramente conheceu algo que não fosse discussão. A paz de Jerusalém é a paz do centro dos raios de uma roda, onde podem ser equilibradas forças adversárias delicadamente e podem ser compensadas e reconciliadas.

O Talmud diz que criação começou em Jerusalém, e o mundo radiou a partir deste lugar. Mapas medievais mostram Jerusalém como epicentro da Ásia, Europa e África. Os fluxos mundiais correm para este ponto, e as forças de toda a vida ressonam aqui. Deste lugar, o mundo inteiro é lançado em perspectiva.

Jerusalém, o centro que dá perspectiva ao resto do mundo. Jerusalém onde D'us é visto. Jerusalém, o mundo aperfeiçoado. A humanidade já entendeu há tempos que aquele que controla Jerusalém controla a memória do mundo. Ele controla o modo que D'us é visto. Ele controla o modo com que as forças da vida são lançadas em perspectiva. Ele controla o modo como vemos nosso futuro coletivamente.

Antigamente o Monte de Templo era o ponto mais alto da cidade de Jerusalém, mas no ano de 135, escravos romanos levaram a sujeira para fora da montanha, e transformou-a no vale que vemos hoje em dia na Cidade Velha. Os romanos expeliram os Judeus de Jerusalém e impediram-nos de retornar, causando a dor da morte. A vida judaica, proclamaram, terminou agora.

Os Cruzados reescreveram a importância de Jerusalém, não mais o centro do drama nacional judaico, mas o local da paixão e morte de Jesus. Como os romanos eles expeliram os Judeus e destruíram sinagogas.

Os muçulmanos vieram depois, e como os outros, reescreveram a memória de Jerusalém, expelindo Judeus e cristãos. Construíram mesquitas sistematicamente, em todo local santo para os Judeus. Apagaram o passado.

Reescrevendo a história de Jerusalém cada uma destas culturas reescreveu nosso lugar, o lugar judaico, na história. Eles nos reduziram, acreditavam eles, à caixa de pó da história - certa vez um grande povo, mas agora, abandonado por D'us, ultrapassado pelo tempo.

Mas os Judeus preservaram Jerusalém como uma memória. Quando construímos nossas casas, deixamos um pequeno quadrado sem acabamento, e quebramos um copo em casamentos, em memória a Jerusalém. Do mundo inteiro nos viramos e rezamos para Jerusalém, e porque a memória foi mantida viva, o Povo Judeu sobreviveu.

Quando Jerusalém foi liberada, o tempo ficou confuso. O passado ficou presente. O que nós tínhamos almejado se tornou nosso. O que nós tínhamos sonhado ficou real, e os soldados choraram pois um país mediterrâneo adolescente recuperava uma memória perdida durante 2.000 anos, repentinamente. O passado estava imediatamente presente, inacreditavelmente, transcendentalmente, transformando-nos no que sabíamos que sempre fomos.

Quem somos nós? Nós não somos menosprezados e itinerantes empobrecidos, sobrevivendo às custas da benevolência inconstante de outras nações. Nós não somos uma nação de fazendeiros que recuperam pântanos, nem de guerreiros - entretanto quando nós precisamos, somos todas estas coisas.

Nós somos uma nação de sacerdotes e de profetas, uma luz para a espécia humana. Nós ensinamos ao mundo a interromper suas espadas pela paz, "amar ao próximo como a ti mesmo", igualdade antes de justiça, e que a admiração não pertence o rico e poderoso, mas para o bem, o sábio e o bondoso. Hitler disse: "Os Judeus infligiram duas feridas na humanidade: Circuncisão no corpo e consciência na alma". Quão certo ele estava e quanto mais temos para fazer. Como é trágico quando fracassamos.

Já dividido por idioma, pela geografia, e até mesmo pela religião, nosso povo é cercado por linhas de memória e de esperança. E estas linhas são perfeitamente frágeis. Se são cortadas nós fragmentaremos, e o exílio longo e amargo de nosso povo - contudo, não terminou completamente - é conseqüência, diz o Talmud, das diferenças que ainda temos entre uns e outros.

A esta ameaça, Jerusalém provê contraponto, pois Jerusalém encarna nossas recordações e esperanças. Jerusalém é uma memória viva, uma visão de D'us em nossas vidas, uma imagem de um mundo aperfeiçoado. Jerusalém nos dá força para alcançar o que nós como um povo temos que fazer, nos unir, e santificar este mundo.

Por isto que Jerusalém importa!
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