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25/Apr/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Iom HaShoá

Kristallnacht - a História se repete

Em 1932, há eleições na Alemanha. O perdedor é Adolf Hitler im"v, um pintor de paredes nascido na Áustria, cujo partido pregava o racismo e a "solução de todos os problemas da Alemanha". Curiosamente, ele é preso justamente por esta linha de pensamento. Na prisão, escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), no qual detalha todos os procedimentos para erradicar o "problema" judaico e a justificativa para tal solução: os judeus eram culpados pelo desemprego da época, o qual gerava fome, angústias e sofrimento. A pergunta que fazemos é: como alguém poderia acreditar em tamanho absurdo? Basta lembrarmos que após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a depressão financeira e social tomou conta dos países envolvidos, entre eles a Alemanha.

Em 1933, Hitler im"v é solto da prisão e seu partido faz um levante, expulsando o partido anteriormente vencedor. Ele sobe ao poder e publica o livro, o qual é vendido por todo o país. Aí se inicia a ascensão do nazismo (NAZI - Partido Nacional Socialista Alemão).

De 1933 a 1936, o povo alemão passa por uma lavagem cerebral, com a criação da juventude nazista. Ele ouve inflamados discursos a favor da riqueza, empregos, comida, artes e divertimento - tudo isso podendo acontecer "se e quando o judeus fossem aniquilados".

A partir de 1936, surgem leis contra negros, judeus, homossexuais e ciganos. Cada mês, novas folhas com leis são coladas nos postes, portas e paredes. As universidades não mais podem ter professores judeus (e um grande número o era); alunos judeus em faculdades só em quantidades reduzidas (numerus clausus) inicialmente para, depois, serem proibidos de freqüentar qualquer escola; os alemães estão proibidos de comprar em lojas de propriedade judaica (muitos eram comerciantes) ao mesmo tempo que os judeus são proibidos de entrar nas lojas alemãs, bem como restaurantes, cinemas, teatros, museus e exposições. Como se não bastasse, foi promulgada a lei que obriga o uso da estrela amarela costurada nas roupas ou em tarjas nos braços, diferenciando-os dos outros. Há a permissão para que qualquer alemão cuspa e chute alguém que porte tal insígnia. Os judeus são proibidos de andar nas calçadas, ou seja, só podem andar nas ruas "como cachorros". Em resumo: os judeus ficam, a cada dia que passava, mais constrangidos, humilhados e indefesos; e os alemães, mais fortes e vingativos.

Desde 1934, judeus alertas emigram, deixando para trás seus bens, amigos e pátria. Outros, incrédulos, esperam a derrota do nazismo. Outros, ainda, não têm dinheiro para comprar a passagem, tirar passaporte e visto; e vão ficando. Muitos alemães, na maioria intelectuais, não vêem com bons olhos o que ocorre na Alemanha e também a abandonam, apoiando os judeus e minorias perseguidas.

Em junho de 1938, o Papa Pio XI encomenda a três jesuítas - um americano, um francês e um alemão - o projeto de uma encíclica destinada a denunciar o racismo e anti-semitismo. Entregue em Roma, no final de setembro, o documento nem chega a ser publicado ou utilizado. Por quê? Como seria diferente o desfecho...

Entretanto, um fato foi decisivo para pintar de negro nossa passagem por aquele território. Em 8 de novembro do mesmo ano, Von Rath im"v, um nazista político e funcionário da Embaixada Alemã em Paris, é morto por um jovem judeu desesperado ao ver os pais poloneses que moravam na Alemanha serem deportados para a fronteira e estarem morrendo à míngua, como expulsos da Alemanha e não aceitos pela Polônia, destino este compartilhado por centenas de outras famílias judias.

Na noite de 9 de novembro, há exatos 63 anos, Hitler im"v manda a SS - as temíveis tropas de assalto -, destruir e saquear as lojas dos judeus por todo o território alemão e incendiar as 1500 sinagogas do país. Rolos da Torá e cortinas são arrancados da Arca Santa, jogados na rua e queimados. Sidurim e outros livros sagrados, ídem. Inúmeros judeus são assassinados. Este vandalismo estende-se por mais dois dias.

Não há a quem recorrer. Toda a polícia é nazista. A insegurança judaica era total. Ver suas sinagogas incendiadas, lojas depredadas e não ter o que fazer: era o início do fim do judaísmo europeu.

Como os estabelecimentos comerciais estão sob o controle de comissários alemães e as contas congeladas nos bancos estatais, as companhias de seguro são obrigadas a pagar os estragos. Indiretamente, os próprios alemães arcam com os danos. Para compensar os prejuízos, Göering im"v condena a coletividade judaica a pagar uma multa de 1 bilhão de marcos.

Por causa das janelas e vitrines quebradas, este pogrom foi denominado Kristallnacht - a Noite dos Cristais.

Por que este dia foi tão importante para o nazismo? Os nazistas testaram sua força. Diante da omissão do resto do mundo, Hitler im"v percebeu que poderia ir mais além em seus horrendos planos. Foi este o verdadeiro início do Holocausto.

Entretanto, apesar da distância no tempo, a voz de Kristallnacht não silenciou. Em outra época e em uma situação completamente distinta, o barulho dos vidros quebrados novamente pôde ser ouvido. Os trágicos eventos do último dia 11 de setembro remontam-nos à mesma pergunta: não seria este o teste de força do terrorismo? A horrenda imagem de edifícios estilhaçados e vidas destruídas não tinham como único objetivo o terror. Creio que, antes de mais nada, este foi um teste: será que o mundo reagiria ou, como no passado, "tapar-se-ia o sol com a peneira", fingindo-se que nada ocorrera, tudo em nome da política? Felizmente, o mundo não foi tão omisso como antes.

Kristallnacht é o lembrete perpétuo: quando o terror sobrevem, não podemos ficar calados. Não se pode deixar que a política valha mais que vidas humanas. No passado, tivemos uma experiência trágica. Apesar de informações detalhadas desde o início, nenhuma linha de trem sequer que transportava os prisioneiros ou qualquer campo de concentração e extermínio foram destruídos. Por quê? Jamais saberemos...

* im"v - acrósticos de imach shemó vezichró, tradicional forma de referir-se àqueles que mancharam de sangue a História da humanidade. Significa: que seu nome e sua lembrança sejam apagados.

Autor: Sami Goldstein
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