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26/Jun/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Iom HaShoá

Kristallnacht e a Resposta do Mundo

Em Novembro de 2003 completaram 65 anos que os Stormtroops nazistas realizaram o infame pogrom de KristallNacht contra os judeus da Alemanha. Em 9 e 10 de Novembro de 1938, cerca de 100 judeus foram assassinados e outros 30.000 foram enviados a campos de concentração. Aproximadamente 200 sinagogas foram queimadas. Mais de 7.000 negócios de propriedade de judeus foram destruídos. A vasta quantidade de vidro estilhaçado das janelas das casas e lojas judaicas deram ao evento o nome de "Noite dos Cristais", ou "Noite dos Vidros Quebrados".

Durante os cinco anos anteriores, os judeus da Alemanha foram perdendo seus direitos legais e estavam sujeitos a explosões ocasionais de violência, mas nada comparável à devastação sistemática em todo o país como em KristallNacht. Agora o Fuehrer esperava a reação mundial.

O público americano foi inteiramente informado dos eventos na Alemanha. Relatórios detalhados sobre a KristallNacht apareceram nas capas dos principais jornais do país nos dias que se seguiram aos acontecimentos. Entretanto, alguns jornais tinham dificuldade em perceber que os nazistas estavam motivados por ódio aos judeus. Um editorial do New York Times argumentava que o motivo real do regime de Hitler era financeiro, "e que o propósito da violência era gerar lucro por si só através dos saques legalizados". Da mesma forma, o Baltimore Sun caracterizou o pogrom como um empreendimento de coleta de dinheiro.

O presidente Franklin Roosevelt respondeu à KristallNacht com uma afiada condenação verbal, e dois gestos: chamou o embaixador na Alemanhã para "consulta", e extendeu os vistos de visitantes de aproximadamente 12.000 refugiados judeus alemães que estavam então nos Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, Roosevelt anunciou a que a política americana de quotas de imigração deveria ser mais rígida.

Com o evento de KristallNacht, membros do Congresso americano preocupados com atitudes humanitárias introduziram uma legislação para ajudar os judeus alemães. Uma medida sancionada pelo Senador Robert Wagner (NY) e Dep. Edith Rogers (Massachussets) propôs a admissão de 20.000 crianças refugiadas da Alemanha além da quota. Grupos nativistas e isolacionistas vorazmente se opuseram à medida de Wagner-Rogers. Com uma resposta típica de sua perspectiva, Laura Delano Houghteling, prima de Roosevelt e esposa do responsável pela imigração nos EUA, reagiu notando que "20.000 crianças charmosas em breve se tornariam 20.000 adultos feios."

Um apelo a Roosevelt pela primeira-dama Eleanor Roosevelt por seu apoio à medida foi ignorado, e uma notificação por uma membro do congresso quanto à posição do presidente com relação à nota dizia: "arquivado".

Com várias pesquisas mostrando que a maior parte dos americanos se opunha a mais imigração, Roosevelt preferiu seguir a opinião pública a guiá-la. Sem seu apoio, a medida de Wagner-Rogers foi enterrada e esquecida.

Ironicamente, quando a revista Pets, no ano seguinte, lançou uma campanha para que os americanos adotasse os filhotes de cães ingleses para que eles não fossem feridos pelos bombardeios alemães, a revista recebeu milhares de ofertas de abrigo para os animais.

Organizações judaicas americanas estavam relutantes em desafiar a política do governo e a opinião pública prevalescente. Três dias após a KristallNacht, representantes do Conselho Geral Judaico, a organização guarda-chuva das maiores organizações de defesa judaicas, reuniu-se em Nova Iorque para decidir sua resposta à violência nazista. Preocupados em provocar o anti-semitismo doméstico, resolveram que não haveria paradas, demonstrações públicas ou protestos por parte da comunidade judaica, e que, apesar de que por motivos humanitários não poderia haver oposição à imigração em massa de judeus alemães, nada seria feito para mudar a política de quotas".

Quando Roosevelt questionou seu conselheiro judeu mais próximo, Samuel Rosenman, um proeminente mebro do Comitê Judaico Americano, se mais refugiados judeus deveriam ser permitidos de entrar nos Estados Unidos, logo após a KristallNacht, Rosenman se opôs, pois "isso criaria um proble judaico nos EUA".

Quatro meses depois da Kristallnacht, a administração Roosevelt tinha organizado uma conferência em Evian, na França, que reuniu delegados de 32 países para discutir o problema dos refugiados judeus. Mas os delegados reafirmaram sua oposição à liberação de suas quotas de imigração, e os ingleses se recusaram até mesmo a discutir a Palestina como possível abrigo. A administração norte-americana havia conscientemente promovido o encontro para dar a impressão de que o mundo livre estava tomando providências, quando na verdade não estava fazendo nada.

Um jornal alemão comentou sobre a Conferência de Evian: "Podemos ver que todos gostam de ter pena dos judeus... mas nenhum países esta preparado para... aceitar alguns milhares de judeus. Portanto, esta conferência serve para justificar a política alemã contra os judeus".

A Kristallnacht não alterou fundamentalmente a reposta da comunidade internacional a Hitler. Havia muitas condenações verbais, mas nenhuma sanção econômica contra a Alemanha nazista, nenhum desconforto nas relações diplomáticas, nenhum relaxamento nas quotas de imigração, e nem uma abertura completa aos judeus das portas de sua terra ancestral. A reação muda do mundo livre com relação à Noite dos Cristais foi uma amostra do terrível silêncio com o qual a solução final nazista foi saudade.

Autor: Rafael Medoff
Fonte: Aish HaTorah
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